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Economia

Terras raras: o “novo petróleo” da economia global pode estar escondido em SC

Estudo do SGB revelou que Joinville e Garuva (SC) podem ter grandes reservas de terras raras, minerais essenciais para tecnologia.

Pedro Silva

Pedro Silva

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Santa Catarina acaba de entrar no radar nacional de uma das explorações mais valiosas e estratégicas do planeta. Um estudo recente do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontou que as cidades de Joinville e Garuva, no Norte do Estado, podem abrigar grandes concentrações de “terras raras” — um grupo de minerais tão fundamental para o futuro da tecnologia e da energia renovável que já é considerado o “novo petróleo” da economia global.

Os primeiros resultados do levantamento, divulgados no dia 11 de maio, indicaram níveis elevados desses elementos em áreas do chamado Cinturão Ribeira, uma estrutura geológica que corta o Sul e o Sudeste do país.

O que são as terras raras e por que valem tanto?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica, compostos por:

15 elementos da série dos lantanídeos: lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólnio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu).

Mais dois elementos quimicamente semelhantes: escândio (Sc) e ítrio (Y).

Apesar do nome, “terras raras”, esses elementos não são exatamente raros na crosta terrestre. O problema é que eles raramente são encontrados em concentrações economicamente viáveis para extração.

O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo, o que coloca o país em uma posição geopolítica de destaque. Esses minerais são essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e para a transição energética global. Sem eles, não é possível produzir motores e baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones, drones e até equipamentos militares.

Resultados promissores em SC

De acordo com o pesquisador do SGB, Guilherme Iolino Troncon Guerra, os indícios no Estado apontam um forte potencial econômico para exploração futura. Durante as coletas de solo e rocha, foram identificadas concentrações superiores a 8.000 partes por milhão (ppm).

O trabalho também encontrou concentrações acima de 3.000 ppm de minerais magnéticos, como o neodímio e o térbio. Esses elementos são considerados alguns dos mais valiosos do mercado mundial, pois são essenciais na produção de ímãs de alto desempenho. “Os primeiros resultados são bastante promissores, com a identificação de concentrações bastante elevadas em diferentes pontos estudados”, detalhou o pesquisador.

Próximos passos

O objetivo do estudo geofísico e geoquímico é ampliar o mapeamento mineral do Brasil para dar segurança a futuros investimentos no setor. O Informe Técnico com os resultados detalhados de Santa Catarina e de estados vizinhos, como Paraná e São Paulo, ainda está em elaboração e deve ser publicado pelo SGB ao longo de 2026.

Fonte: ND+


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